O controle das finanças no âmbito pessoal é fundamental no processo de empoderamento das mulheres. A afirmação é da executiva do mercado financeiro Jandaraci Araujo, que ministrou a palestra “Do Orçamento Doméstico ao Orçamento Público” no encontro virtual promovido pelo PSD Mulher nesta quinta-feira (27). Organizado pela coordenadora nacional do núcleo feminino, Alda Marco Antonio, a vice-coordenadora Adriana Flosi e a secretária do PSD Mulher Nacional, Ivani Boscolo, o evento reuniu representantes de todas as regiões do País.

A reunião faz parte de uma série de atividades do núcleo que têm como objetivo estreitar os contatos entre as lideranças femininas. Nos debates, as participantes trocam experiências a respeito de um tema e falam sobre as peculiaridades do seu local de atuação. “Queremos que as militantes do PSD Mulher do Brasil inteiro se conheçam.Temos mulheres maravilhosas, com histórias riquíssimas. Demos um passo na direção de um assunto que não é familiar a muitas mulheres, as finanças. Jandaraci é altamente qualificada, foi a primeira mulher a se tornar diretora do Banco do Povo”, explicou Alda.

Ex-subsecretária do Empreendedorismo e da Micro e Pequena Empresa do Governo do Estado de São Paulo, Jandaraci relembrou as dificuldades que teve de superar desde os tempos em que vendia salgados para sustentar a família. “Não importa se você nasceu numa família abastada ou não. Onde a gente começa não determina onde vai acabar. Eu já sabia naquela época como lidar com dinheiro, tinha um controle orçamentário”, contou a palestrante, que tem MBA em Finanças e Controladoria, pela Fundação Getúlio Vargas, e MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral.

Jandaraci destacou o fato de que muitas mulheres, mesmo as que são donas de empresas ou ganham mais que os homens, acabam sendo dominadas por seus maridos por terceirizarem a gestão dos negócios. De maneira didática, a palestrante abordou conceitos que devem ser adotados tanto nas finanças pessoais quanto na esfera pública. “Há princípios que regem o orçamento público e nós usamos muito no dia a dia. Você deve saber qual é seu custo de vida, para onde vai o dinheiro, em qual área investe mais. No orçamento público, as verbas são carimbadas. Nós, mulheres, sabemos como ninguém fazer mais com menos.”

Ainda segundo Jandaraci, “é muito importante que as mulheres deixem de ser somente pequenas poupadoras e comecem a investir no mercado financeiro.”

Experiências

Três lideranças femininas do partido compartilharam suas experiências como gestoras: a prefeita de Glória do Goitá (PE), Adriana Paes; a ex-prefeita de Ilhabela (SP), Gracinha Ferreira; e a tesoureira do diretório do PSD no Rio Grande do Sul, Rosangela Negrini.

Adriana falou sobre os desafios que já enfrentou na administração do município de cerca de 32 mil habitantes da região da Zona da Mata, em Pernambuco. “No ano passado, tive de gastar muito mais na saúde, por causa da pandemia, e precisei pedir suplementação orçamentária. A Câmara segurou o orçamento, mas a gente conseguiu. A mulher tem um olhar especial para tudo, para a educação, a saúde. Ela precisa estar forte, determinada, saber que é capaz”, disse a prefeita, que está no segundo mandato.

Gracinha ressaltou que, apesar da queda na arrecadação provocada pela pandemia e do machismo no cenário político, conseguiu deixar um legado na cidade do litoral Norte paulista, com população estimada pelo IBGE em 35 mil habitantes. “Aplicamos R$ 25 milhões no Cartão Alimentação, deixei carimbada uma verba de R$ 250 milhões para o saneamento básico e trabalhamos muito a regularização fundiária. Sempre fui pautada pelo respeito ao dinheiro público, tratava como o orçamento da minha casa, com responsabilidade.”

Rosangela detalhou suas atribuições na gestão das finanças do PSD no Rio Grande do Sul, onde o partido tem como presidente Letícia Boll Vargas, única mulher à frente de um diretório estadual da sigla. “Implantamos vários programas no Estado, o PSD cresceu muito. Quando se trata de um partido político, o cuidado é redobrado com os recursos públicos, que são supervisionados pelo Tribunal Regional Eleitoral.”